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Doutor Jorge Rodrigues Simão
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Perdoar e deixar ir...
"O tema do dia era o ressentimento, e o professor tinha-nos pedido que levássemos papas e uma
bolsa de plástico. Devíamos tomar uma papa por cada pessoa que guardássemos ressentimento, escrever o seu nome na papa e guardá-la
na bolsa. Algumas bolsas eram realmente pesadas. O exercício consistia em levar a bolsa connosco durante uma semana. Naturalmente,
a condição das papas se ia deteriorando com o tempo. A incomodidade de carregar essa bolsa a todo momento, além do mau cheiro,
mostrou-me claramente o peso espiritual que carregava diariamente e fez-me ver que enquanto punha a minha atenção nela para
não a esquecer em nenhum lado, não dava importância a coisas mais importantes. Aprendemos no final da semana uma grande lição,
ao tornarmo-nos conscientes, de que todos levamos na nossa mochila sentimentais papas podres".
Este exercício ilustra de uma maneira clara, o preço que se paga diariamente por manter dentro
de nós o ressentimento causado por coisas que já passaram e que não podemos mudar. É surpreendente a capacidade que tem o
ser humano para guardar como se fosse um tesouro, a recordação dos momentos tristes ou das situações difíceis que viveu. Às
vezes é bem mais fácil recordar e conservar presente a dor, a perda, a traição, o engano ou a mentira, que outras situações
ou circunstâncias positivas que também experimentamos nas nossas vidas. É necessário compreender, que se formos capazes de
enfrentar essas recordações negativas, com valor e honestidade, poderemos curar as nossas feridas emocionais, para evitar
que continuemos a reagir negativamente às situações que enfrentamos todos os dias. Não vale a pena apegarmo-nos ao passado,
deixando que a ira ou a dor se convertam em ressentimento dentro de nós, convertendo-nos na vítima maior desse veneno. Merecemos
ser livres desses pensamentos negativos que alimentam sonhos de vingança e sentimentos destrutivos que não nos permitem virar
a página, para continuar a viver e a usufruir de todas as coisas boas e agradáveis que sucedem no nosso dia. Para deixar um
passado difícil atrás… há que ter valor, auto-estima e determinação. Talvez estamos a pensar no difícil que seria perdoar
alguma pessoa em particular, e é compreensível esses sentimentos, mas ao não
ser capaz de fazê-lo, estamos a condenarmo-nos a nós mesmos a manter presente esse momento, enquanto a outra pessoa continuou
a viver sem sequer recordá-lo. O passado já passou, e não há nada, que possamos
fazer para mudá-lo!
Apenas, sair dele e dar uma oportunidade de ser livre para recuperar a ilusão, a capacidade de
sonhar, de rir e de ser feliz. Perdoar, é um acto singelo, que implica encher-nos de amor, valor e determinação para compreender,
aceitar e soltar todos os sentimentos e as ideias associadas a uma má recordação. Existem várias fontes de amor, nas quais
podemos apoiar-nos, o contacto e a relação com as pessoas que amamos, o reconhecimento e a valorização de todos os presentes
essenciais que recebemos cada dia, o gesto amoroso, gentil ou solidário que têm os outros para connosco, e o contacto com
a presença de Deus no nosso interior. Perdoa com o coração. A maioria das vezes, praticamos um perdão mental; isto é, chegamos
à conclusão de que é necessário fazê-lo, tomamos a decisão e simplesmente pensamos que já o fizemos, e depois continuamos
o mesmo ritmo de vida como se nunca tivesse acontecido nada. Pratiquemos um exercício de perdão. Existem vários exercícios
para perdoar, de maneira que possamos reprogramar e libertar alguns dos pensamentos negativos associados a essa recordação.
Elejamos um que seja idêntico a nós e tentemos fazê-lo num momento em que nos sintamos descontraídos e dispostos a praticá-lo.
Podemos estabelecer limites. Quando perdoamos, temos o direito de eleger, se continuamos com a relação que tínhamos com a
pessoa, ou a damos por terminada expressando-o aberta e honestamente. Perdoar não te obriga a manter uma relação com pessoas
com as quais já não desejamos continuar. Tomemos essa lição. Todos somos parcialmente responsáveis pelo que vivemos, algo
fizemos ou deixamos de fazer para viver certas situações da vida, por isso, é importante que nos interroguemos - Que podemos
aprender de tudo isto? Como podemos mudar ou melhorar algo, para não repetirmos?
Quando retiramos algum elemento positivo do que vivemos, crescemos, amadurecemos, e cada vez
somos mais capazes de manter o controlo da nossa vida emocional.
Soltemos o passado, deixemos de preocupar com o futuro, vivamos o presente, porque a vida é maravilhosa,
e tudo vai dar certo!
Jorge Rodrigues Simão
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